sexta-feira, 23 de março de 2012

Jovem de 24 anos ganha mesada dos pais para estudar para concursos Bacharel em direito diz que ter a ajuda da família 'é um privilégio'. Para educador, ela deve estabelecer um prazo para entrar no mercado.

Giselle Dutra e Fabíola Glenia
Do G1 CE e do G1 em São Paulo 



Dianne Dias se considera privilegiada porque, aos 24 anos, ainda recebe mesada dos pais. O motivo? Mesmo bacharel em Direito, ela passa a maior parte do tempo estudando para se preparar para concursos públicos. "Lógico que hoje se eles não tivessem condições, eu teria de advogar. Nem todo mundo pode ficar parado para estudar. Mas como eu tenho esse privilégio, tenho de aproveitar para me capacitar mais", afirma.
(Na série Dinheiro na mão de crianças, oG1 mostra como os pais fazem para explicar situações econômicas do dia a dia para os filhos.)
Ela recebe todo mês R$ 2 mil dos pais para a manutenção da casa em que mora sozinha em Fortaleza, ter uma diarista e pagar um pouco de lazer. Para Dianne, ninguém deve receber mesada a vida toda, mas enquanto for realmente necessário. Natural do Rio Grande do Norte, ela recebe mesada há nove anos, desde o ensino médio.
Depois, os pais mantiveram a mesada durante a faculdade e agora ela continua contando com o apoio financeiro para se dedicar aos estudos. "Sei que nem todo mundo tem acesso a isso. Acho que quando você tem um privilégio, você tem de aproveitar a oportunidade", disse.
Ela disse que presta assistência jurídica uma vez por semana a uma empresa para reforçar o orçamento, em especial, para as saídas com amigos. "Não posso me dedicar tanto ao trabalho porque preciso estudar", diz. Dianne reconhece ainda o esforço dos pais e diz que se não recebesse a mesada, não teria como buscar chegar mais longe na profissão. "Teria de estar trabalhando para me sustentar e morar em um apartamento sozinha. Tem as contas de casa para pagar. Por mais que eu passe 90% do meu tempo estudando, não daria", explicou.
Amadurecimento
Como os pais de Dianne moram em Mossoró, interior do Rio Grande do Norte, ela mora desde os 15 anos sozinha em um apartamento em Fortaleza, onde estuda. A jovem explica que morar sozinha trouxe amadurecimento quanto ao controle de gastos. "Sou muito consciente com relação ao dinheiro. Sempre me deram um valor porque sabiam quanto mais ou menos eu gasto. Esse 'x' era para pagar as contas e, se eu conseguisse economizar, ficava para mim", explica.
No início, quando ela ainda era adolescente, Dianne avisava aos pais sobre cada conta que chegava e quando precisava de dinheiro para o lazer ou outros afazeres. Depois, acabou conquistando a confiança dos pais e se organizando sozinha. Mas ela também acredita que isso se deve mais à personalidade do que à orientação dos pais. "Eu nunca cheguei a gastar o dinheiro e ficar sem ter como me organizar, mas é mais da pessoa", defendeu.

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